2004/09/23

..

[... porque foste o poema
absoluto
na duração de um tempo seguro... ]

4 Comments:

Blogger Maria Branco said...

por coincidência enquanto te leio estas palavras, tenho por companhia as palavras de José Luis Tinoco, pela voz de Carlos do Carmo:

No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.

José Luis Tinoco

Desculpem o tamanho do comentario, mas não resisti. Beijinhos, desejo de uma excelente noite.

23 setembro, 2004 21:53  
Blogger souuma said...

Porque um poema é-o sempre... ainda que possamos lê-lo de maneira diferente a cada olhar...

24 setembro, 2004 03:13  
Blogger personna said...

Maria Branco:

.. há «poemas» com rosto. poemas de cores... sons... sabores...

poemas de restos.

.. há um «poema» com «aquele» rosto. o poema inteiro... perturbador... isento e secreto,

que nos lê.

24 setembro, 2004 05:05  
Blogger personna said...

souuma:

(.. consideração pertinente, a tua.)

Não será esse o seu lado perverso? ...

24 setembro, 2004 05:09  

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