2004/08/15

Sê...

Nessa parede que te reflecte a densidade de desejares seres apenas e só isso: imóvel, presente, observadora, subjugada ao rol das emoções... A vida nega-to e ardes!...

Nasceste na espuma do mar e nele banhas os pés doridos pelos rasgos acutilantes da aurora... Todos os dias que nascem mostram-te a graciosidade dos momentos e, ao decidires seres parte dessa perenidade, desfazes em ti a luz da eternidade... A vida permite-to e sentes!...

Sem epitáfios cansados e evitando as sequelas repetidas, palmilhas os sentidos semi-perfeitos e procuras-te nessa procura do ser que se envolve na espuma do luar ardente... A vida nega-to e insistes!...

Dança e voa e apaga em ti aquilo que procuras... existes, isso basta! Vive-o!

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

(...)

Um texto forte...
Traz-me a lembrança da ode de Ricardo Reis, um dos muitos rostos, máscaras, representações de Pessoa.
E porque nele me quero rever (e encontrar). :)
R.
...

Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.
(Ricardo Reis, 14-2-1933)

16 agosto, 2004 13:18  
Blogger Maria Branco said...

E quando não se consegue apagar? e quando nada basta??

16 agosto, 2004 18:29  
Blogger metafora said...

R.:

O poder da existência é sublime quando sentido, partilhado, “rasgado” pelas agruras e doçuras (claro!) da vida…

Ser(mos) implica mais do que a mera existência… A par de Reis revejo Caeiro e insinuam-se as palavras de que como as pedras e as plantas existimos (parafraseio). Discutível, mas a beleza reside na envolvência do nosso redor e, também, no acto de não reflectirmos em demasia… viver pela vida em si, pelo seu néctar…

O peito vai aberto e as emoções à espera de serem desfloradas pelos zéfiros…

Em resumo: bebamos dos cântaros agridoces da vida e sejamos!

17 agosto, 2004 12:00  
Blogger metafora said...

Maria Branco:

A tentação impele-me a dizer que nada nos basta, não aos que pretendem a plenitude dos momentos, sentimentos… As metas vão sendo colocadas cada vez mais distantes, porque é o caminho que interessa, não o objectivo em si (parece-me…).

Importa(rá) apagar a procura em si, essa fixação exclusiva do objectivo… saborear a existência que nos encaminha para lá…

A dificuldade reside nessa questão “e quando não se consegue apagar? E quando nada basta?”… será essa a pedra filosofal?

17 agosto, 2004 12:20  
Anonymous Anónimo said...

"dança e voa e apaga..." convém esse conselho, se é derivado de um passado de tristeza e de dôr...mudar a maneira de viver...arde (..de novo), (res)sente, (re)insiste !...irás ? rui

01 outubro, 2004 18:08  
Blogger metafora said...

Rui:

“Arde”, sim... Mas o apelo é de os sentidos viverem sem amarras!

02 outubro, 2004 15:20  

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