2004/10/31

"Liberdade"...

Ponto por ponto...
... Traço a linha entre pensar e sentir...

Respiro fundo...

(Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner)

... Aguardo!



(Fonte: http://fotografia-na.net - Foto de Nanã Sousa Dias)

2004/10/29

Vox

Uma voz em mim...

(Pausa...)

Debruço-me sobre essa leitura de voz quente, adocicada e sussurrada que me dita o cérebro... noto que me agradam as pausas medidas, as respirações permitidas... Gosto de vozes assim... profundas...

(Ao contrário do proposto tenho que as separar, não consigo unir tantas sensações numa reflexão só... - mas eu faço-me, maioritariamente de sons que sobreponho às palavras e não o inverso)

Há sonoridades que me agridem e que afasto... outras onde me deleito, porque me agrada a musicalidade... o compasso ritmado...

Trabalho essas vozes, dou-lhes graves, agudos, puxo os tons baixo e dou o brilho final... esta sonoplastia seduz-me: a de mexer nas vozes e lhes dar outras cores...

... E, se entrar e voltar a sair desta montra, é poesia que recebo, mais do que a prosa que dou...

(Pausa...)

Em mim a voz...

2004/10/27

[.]

.. estilhaços com um prefixo, a [voz] do imprevisto

sabor que hoje, ontem talvez, foi

a [tua] presença. recorto

fracções de um sentir misturado, um reflexo breve

do som... que [a] narrativa oculta

(...)

resíduos... [em mim], .

2004/10/26

Sem sentido...

Erge et ambula...

... Como se o pensamento está lasso e as articulações corroídas?

{Busca-se bálsamo que atenue a aridez. Stop.}


»»» E o resumo é o sentir que se deprende dos sentidos, manchado que está pela impureza dos momentos. Vou desinfectar a alma, já venho. «««

2004/10/22

..

.. disse, creio, Johann Herder: ("O homem é um sensorium comum perpétuo, que é tocado ora de um lado e ora de outro")...

Esta será (também) a síntese do tempo como presente, passado e futuro na sua dimensão intratemporal. Nesta medida, o presente passa... mas há aquele contínuo, co-extensivo a esse tempo de perturbações temperadas, basta que a «contemplação» se afirme sobre o imenso da «sucessão de instantes»...

.. sinopse pulverizada em sedimentos exponenciais, assim me suturo... na adjacência aquele limiar.

(...)

Banda Sonora do momento...

Smoke Gets In Your Eyes

They ask me how I knew
My true love was true
I ofcourse reply
Something inside
Cannot be denied

They said some day you'll find
All who love are blind
When your heart's on fire
You must realise
Smoke gets in your eyes (...)


Sarah Vaughan


Cry Me A River

(...) I remember all that you said
Told me love was to plebeian
Told me you were through with me
Now you say you love me
Well, just to prove you do
Cry me a river
Cry me a river
I cried a river over you (...)


Dinah Washington


I've Got You Under My Skin

(...) Don’t you know you fool, you never can win
Use your mentality, wake up to reality
But each time I do, just the thought of you
Makes me stop before I begin
’Cause I’ve got you under my skin (...)


Diana Krall


A lista seria infindável e na minha "tábua de matérias" há momentos que são pontos e segundos que são traços... Este é um momento em que, julgo crer, a linha se cose num ponto perfeito...

... Corpo etéreo feito de vozes!

2004/10/18

..

.. superfície inscrita, editada, exaltada... como num «corpo» de tempos e metamorfoses de destruição construída num acumular de lastros. Essa é a narrativa própria que se reinventa num palimpsesto mal apagado pela denúncia de textos indecisos, outrora, resistentes aos gestos diferenciais que (agora) se sobrepõem...

.. pensava

na transparência da intersubjectividade encontrada na silhueta desses «corpos gravados».

De cada ponto do campo primordial partem intenções vazias e determinadas. Fixa os momentos do percurso e liga um a um os pontos da superfície... entendes (?) aquilo a que chamamos de sensação é a mais primária das percepções enquanto «modalidade da existência», ela exige um fundo, essa estrutura que também se .

(...)

Subitamente, um desvio de olhar arrastado envolveu-me na (in)decifrável aparência de «ti»... percebi

que (também) há «pontos» que são «traços» e que há «traços» sem «pontos»... os teus, em mim.

2004/10/15

Confissões...

Queria encontrar a palavra exacta e ela não me ilumina garganta rouca de cansaço...

Tolha-se-me a língua com a medida exacta da "saudade", tua, sim...

Porque hoje me apercebi que é importante que o leias e que o sintas... Perto, sim, estou aí...

Um beijo...

2004/10/12

Corpo(s)...

Corpo no corpo, corpos envolvidos, traçados, desenhados numa linha contínua e respirada de intensidade...

Corpo só, lânguido, suave, expectante, embrulhado numa manhã de claridade dormente e saborosa...

Corpo(s)... somente...

Na penumbra que divide os tons e abrevia a leitura, reside o olhar que distingue os cenários, os momentos... Corpos sem rostos, rostos sem sexo...

(Porque importa isto: frisar que os conteúdos se despem de invólucros quando se vestem, puramente, de sentidos e sentimentos...)

Corpo(s) apartados e abraçados, delineados numa existência de pureza sinestética... Rasgados...

... Apenas... que baste!



(Fonte: http://galerias.escritacomluz.com/amelie/ - Foto de Margarida Delgado)

2004/10/10

Presente...

Beijo-te os lábios queimados pelas palavras amordaçadas... num olhar... num momento... agora!

Amanhã o dia amanhecerá tarde e o Tempo, bandido, foge com o seu saque: o que não voltaremos a ter...

Pesa o instante, o imediato, sentido, estruturado...

O minuto que acabou de passar já não nos pertence...

E o que se tem é isto:

(Procuremos somente a beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e um sombra que passa...


Eugénio de Castro

Sussurro...)

... O presente!

2004/10/09

..

.. há um reconhecimento da forma que te configura neste tempo de corpos desagregados. Fragmentos de um conceito que se perpetua no esgotamento de uma materialidade apagada, consumida... desactualizada.

Simulacros contaminados, fraqueza inusitada... o irrevogável retorno a esse «corpus» da forma e à forma do corpo confere-nos presença e identidade.

.. há inícios que se invertem, gritos sussurrados, amarrados... centripetamente confinados à imperecível demanda pela «visibilidade do invisível»,

desejo.

.. há uma medida arrastada, distraída... automatizada, aquela que nos vai roubando.

(...)

Há este «silêncio» que gela e fica por contar...

2004/10/07

100...

Há luminosidade nos dias que apregoam o Outono de folhas caídas...

Um suspiro que se solta e funde na tonalidade azul do céu...

A luz que embriaga os olhos cansados e os fere com um flash branco...

Sem...

Cem...

Sempre o ritmo compassado de um relógio que teima em não parar...

2004/10/06

..

[.. passado inscrito na ausência de um futuro substituído
hoje, "sen ti" ... ]

2004/10/05

..

este livro. passa um dedo pela página, sente o papel
como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto.

este livro tem palavras. esqueces as palavras por
momentos. o que temos para dizer não pode ser dito.

sente o peso deste livro. o peso da minha mão sobre
a tua. damos as mãos quando seguras este livro.

não me perguntes quem sou. não me perguntes nada.
eu não sei responder a todas as perguntas do mundo.

pousa os lábios sobre a página. pousa os lábios sobre
o papel. devagar, muito devagar. vamos beijar-nos.



José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão

...

2004/10/04

..

... nos antípodas, acrescento


A «palavra» conduz, disciplina... enquadra o procedimento e o movimento num tempo.

A «sensação» assalta o «corpo», estrutura-lhe os gestos, concede-lhe significado, relaciona-o com o que o envolve, pode separá-lo, uni-lo e até negá-lo.

E o espaço, esse enquadramento mentalmente encenado, é (uma) consequência... resulta do modo como o corpo luta ou se rende... como se liga à palavra /sensação ou lhe foge.

... é nesse «entre» que a «verdade» (nos) compreende!

(...)


tom sobre som...

2004/10/01

(Arrepio...)



(A imagem provoca(-te), mira(-te), consome(-te)... Nesse momento há um toque que (te) é negado e é a Lua que (te) beija a pele arrepiada...

Contemplo, somente... Porque há realidades que se esfumaçam com a rapidez de um sopro!

No final é o "quase" que fica! De ti quero mais do que a mera pele, do que o mero calor, do que simples respiração!)

(Fonte: www.olhares.com - foto de Marília Campos)