2004/09/30

Murmúrio(s)...

Escuto(-te), sim… o sentido embrenhado nos sentidos, a sinestesia plena e pura!

Desfaço-me no sal das tuas palavras e permito que a doçura se envolva nele, nelas, nisto, em nós… Porque houve uma barreira que se quebrou e permitiu a nova identidade: a cumplicidade.

E há uma perfeição que se busca nessa “síntese de momentos consentidos”, mas é o percurso a essência, ficando olvidado o objectivo. Afasto, também, a “perversidade” do jogo, para que este seja apenas equilíbrio e harmonia.

Momentos há em que as palavras são, apenas, “metáforas espectadoras” e em que as suas múltiplas significações perdem todos os códigos e em que simplesmente as rasgamos com prazer hedonista.

... O arrepio na pele...

2004/09/28

..

.. em cada página escrita, o gesto apropriado... a grandeza dos vestígios que só o olhar atento se atreve a discriminar. Assim se exploram outros domínios, redes de relações e participações privadas de matéria presente. E quando...

.. e como

se transita desse nível sensorial para um outro de significações? É o jogo que te equilibra, é a aparência, a forma a ideia que te constrói e projecta na transitoriedade de um tempo... não recues.

Escuta.

... cada nota que te olha, cada tom que te prova, cada sabor que te ouve...

existe sim, uma sequência... uma ordem estratégica e emocionalmente concebidas. Sem «laços» perversamente resistentes ou essências perdidas, esta é

a vertigem que te dou.

(...)

2004/09/27

Tudo e nada...

Diria que começa aqui:

Pudesse eu não ter laços ou limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes.


Sophia de Mello Breyner Andresen

.../...

Mas insistes em perder e encontras o vazio onde flutuas! Ou é no vazio que te perdes para que possas insistir sem laços que te amordacem?

E é sempre tarde... num sopro da madrugada os passos traçam um caminho já pisado... é tarde mas continuas, porque a sensação é de que será ali, a escassos segundos, que encontrarás a essência, o fundamental...

Na escuridão há faces que olham sem ver... que te analisam sem te encontrar a beleza despida, cor de carne, rasgada num olhar que te lanço e que te toca.

Vejo-te... mesmo na distância dos minutos, entendo-te... mesmo que as palavras sejam veladas...

Tu sabes... tudo e nada é o que nos remete para esta essência... eu também sei!

2004/09/26

..

.. pretérito de raiz presente, a provocação. (Esperava-o).

Difíceis são os caminhos da razão e complexa a inteligibilidade do que se sente... olhamos, respiramos... absorvemos,

o reconhecimento do FUNDAMENTAL, quase sempre, TARDA.

(...)

Insistes

em integrar a matéria que não se inventa, em observar o instante que já se esgotou... em conjecturar, analisar, pensar, ... basta! As sínteses, aquelas que através de ti se precipitam, revelam novos perímetros, outros contornos... assim te encontras, assim te

perdes.

.. e num pretenso momento de lucidez recordas as palavras do Poeta: «As coisas só na aparência têm limites...» (António Ramos Rosa)

Vazio.

.. o início reformulado que evitas. E a sedução começa... aqui.

2004/09/24

Breve...

E sinto...

Mas é um amplexo tão vasto quanto complexo!

E a “respiração” num poema de 6 minutos que recordo...

Breve é a dimensão do espaço, curta é a noção do tempo...

..

.. momentos há escritos na vertigem de um amplexo de vontades. É essa a «essencial essência» do argumento que nos furta ao assalto da indiferença.

Um traço de reticências que nada omitem, um esboço inacabado do que pode ser

o encontro do compasso dividido.

.. e,

num ímpeto de representações inconfessas (que tudo transportam, que nada esquecem), acontece...

.. a respiração.

(...)

Palavras de sabores sentidos... que sinto, para que sintas.

2004/09/23

A essência do essencial...

[Porque és prosa estendida num verso clamado em voz embargada da emoção, saboreando as palavras por entre os lábios semicerrados, degustando-as como sendo só tuas...

Fazias/fazes falta!

E aí sim, o espaço adormecido, mas latente, do absoluto!

Mas também o tempo coerente da saudade... tempus fugit...]

..

[... porque foste o poema
absoluto
na duração de um tempo seguro... ]

2004/09/20

Cais...



São sempre densas as brumas nesse cais da saudade...

Quantos Adamastores troam perante essas velas?

E é só... a imensidão incontida numa eternidade de sentidos, mesmo que difusos, confusos, tacteantes, periclitantes...

(Fonte: http://www.thousandimages.com/)

Momento ténue...

Em todo o espaço há ausência...

Dir-te-ia (como já disse) que mesmo entre letras o fosso entre uma e outra é abismal...

... E é aí, creio, que nos perdemos na comunicação, ou encontramos tudo na cumplicidade!

.../...

O rio que passa, ora calmo, ora tempestuoso obriga-me a reflectir nos intervalos ritmados... Ergo-me no limbo e tento o equilíbrio...

Os passos são trémulos...

Caminho!

2004/09/19

..

.. sentidos despertos que nos fazem

ritmo de pausas... intervalos de cores. O argumento arde!

(...)

Neste «aqui» e «agora» o equilíbrio segue a proporção do exercício que não espera.

É este o espaço da ausência?

..



..

..



..

“.. tudo passa”

... Tudo muda com a passagem dos momentos sempre céleres... sim. Arquétipos que se revisitam, como um álbum de fotografias a preto e branco. Modelos existentes que não se pretendem estanques.

Evolução... construção... inovação.

E o "devir" que se instala no presente,
... inusitado,
... sempre surpreendente!

Invoco os seis sentidos e observo o rio que passa!

2004/09/18

"Um Ritmo perdido"...

Se uma pausa não é fim
e silêncio nâo é ausência,
se um ramo partido não mata uma árvore,
um amor que é perdido, será acabado?

um ouvido que escuta
uma alma que espera...
- uma onda desfeita
É ou já não era?

Nuvem solitária,
silenciosa e breve,
nuvem transparente,
desenho etéreo de anjo distraído...

nuvem,
esquecida em céu de esperança,
forma irreal de sonho interrompido..

nuvem,
luz e sombra,
forma e movimento,
fantasia breve de ânsia de infinito...

nuvem que foste
e já não és:
desejo formulado e incompreendido.


Ana Hatherly (n. 1929, Porto)

..

.. no breve instante

da palavra, momento revisitado... cada gesto escrito, cada transferência projectada revela o contorno das sínteses que passaram… mas que (talvez) ainda procuramos.


.. não identifico em mim a vontade de me dispersar num reencontro de restos consolidados.

.. reservado está, o espaço da possibilidade , para um tempo carregado de suaves perturbações... que acusam, aceito

com tanta força

num abreviar de sentidos... assim.


.. tudo passa.

2004/09/16

(...)

(“Naquele sonho passado havia uma ponte pequena, perdida e esquecida, periclitante...

Hoje há passos que se encaminham para ela... que se quedam no percurso... lá em baixo a imagem reflectida na água arrepiada pelo vento...

O rosto envelhecido que se desenha aparenta um sorriso nostálgico, como se o reencontro com o passado trouxesse à pele essa necessidade de desenhar as rugas já desaparecidas...”

Em cima da ponte trocámos mais do que meras palavras...

.../...

Urgentes, estes momentos de revisitar palavras e sentimentos passados, somente...

Shiu...

... Silêncio!)

PUM!!!

2004/09/10

Permissões...

Apreendo o (i)real e saboreio esta tonalidade de sons imensos…

Sinestésica sensação de existir e de me permitir à permeabilidade dos sentidos…

Levanto-me e caminho, doce refém da rosa dos ventos que é o momento puro…

2004/09/09

..

[ ...

Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhador obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto o naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar…

Sophia de Mello Breyner Andresen



Assim me precipito... ]

..



..

Início(s)

E no início era o verbo...

... a palavra!

Desenhada na areia que o mar acaricia ou solta pelos ares que o sol ilumina...

O que está embrulhado ou o embrulho é que provoca?

De que se vestem as sensações?

.../...

Optaria por rasgar essas roupas que ocultam!

2004/09/08

..

... entendimento(s).

Transparência arrastada que o discernimento furta à opacidade daquele observar... que permaneceu

imobilizado.

... nele(s), a simetria espontânea de uma inclusão que abrange... de faces justapostas… de «constâncias» agitadas,

primeiro, a origem.

(...)

2004/09/07

Momentos...

Momentos há, porém, solenes e perenes, guardados algures, ciosamente, como se fosses âncoras que nos acodem e embalam...

Sempre as interrupções, como o negativo e positivo da linha eléctrica que nos percorre, gerando-nos seres de sentimentos mentais...

Aí reside a constância da vida, o livre-arbítrio, a razão iluminada que nos acolhe no seu seio.

Findo isso o que resta desfaz-se em alma e, meramente, sente-se!

...

Primordial é entendermos o que nos esclarece!

2004/09/03

..

... na brevidade do «momento»

as interrogações... as impressões... o enigma. Entre o «sim» como hipótese e o «não» que interrompe, a definição da trajectória sobre a qual se reflecte.

... e fundamentais são as decisões, aquelas que superam o paralisante abraço da hesitação.

... e primordial é a influência da «razão», que esclarece.

(...)

na brevidade do «momento»...

2004/09/01

E agora?

(Ambas… direi eu…)

No espelho desse corredor denso – repito a alegoria – sinto uma respiração essencial… roça-me o pescoço e apodera-se do momento…

Olhar inquisidor de sobrancelha erguida… curiosidade sôfrega…

Ou olhos que pousam numa realidade de tons imensos?

...